A gravidez pode trazer para a mulher um encontro maior com sua feminilidade. Apesar de cada uma vivenciar essa experiência de modo particular, existe um mergulho, seja mais raso ou mais profundo, para dentro de si mesma. As mudanças acontecem tanto internamente em suas emoções e na construção do ser mãe, quanto externamente.

Há mulheres que se sentem muito bem ao longo da gravidez e relatam que às vezes até esquecem que estão grávidas. Outras, vivenciam certos desconfortos, como enjoo, azia, dores e inchaços que dependendo da intensidade, podem levar a um impacto na qualidade de vida, na produtividade no trabalho e até na relação com o parceiro.

O corpo ganha novas curvas que podem ser interpretadas pela mulher como algo positivo, algumas se veem mais sensuais, enquanto outras não se reconhecem nesse novo formato. Por questões orgânicas e emocionais, algumas choram e se irritam com mais facilidade…Alguns casais ficam mais próximos e mais conectados nessa fase. Existem outros que, por medos (de machucar o bebê, por exemplo), ansiedades e até mesmo por estarem mergulhados nesse novo universo da maternidade/paternidade podem diminuir os momentos de vida a dois. Há também casais que não podem ter uma vida sexual ativa na gravidez por recomendação médica.

Enfim, podemos perceber que cada mulher é única e que todos esses fatores acima contribuem para que ela tenha mais ou menos desejo de fazer sexo ao longo da gravidez, o que também pode acontecer com o parceiro.

Existe, então, um problema se o casal opta por não ter ou por diminuir a frequência da relação sexual durante a gravidez? Não! Está tudo certo uma vez que ambos estão bem em relação a isso.

Mas e quando o desejo de um bate com a falta de desejo do outro?
Em um primeiro momento, pode ser um desafio conjugar o desejo de duas pessoas diferentes somando-se a isso o contexto da gravidez. Porém, existem formas de trazer mais leveza para o relacionamento, sendo o diálogo entre os dois fundamental para que um saiba como o outro se sente em meio a essa situação e em todo o processo de mudança que acontece na vida dos dois. A conversa na busca de soluções é muito poderosa e pode gerar mais união e empatia.

Existem também outras formas que podem auxiliar o casal a viver esse processo de maneira mais saudável e tranquila:
Ter um tempo para si, fazendo coisas que relaxam a mente, o corpo e que ajudem a se conectar consigo mesmo.
Investirem tempo juntos, seja um jantar, um passeio de mãos dadas. Busquem momentos que aumentam o vínculo e percebam que o sexo vai muito além da penetração.
Tirar dúvidas sobre o sexo na gestação com os profissionais de saúde que acompanham a gravidez pode trazer mais segurança para o casal.
Caso o casal escolha por ter relação sexual durante a gravidez, busque posições que trazem maior conforto e que previnem dores.
Realizar acompanhamento fisioterápico especializado pode gerar ganho de percepção da musculatura íntima e isso trará benefícios não apenas para o parto, mas também para a relação sexual durante e após a gestação. Além disso, pode ser uma boa oportunidade para aliviar dores e adequar exercícios durante a gestação.
Praticar atividade física adequada pode ajudar a gestante na prevenção de dores e melhorar a autoestima.
Ter um acompanhamento psicoterápico pode ser muito interessante para o casal se conhecer melhor e irá ajudá-los a lidar com os desafios que vivenciam nessa nova fase da vida.
Texto escrito pela fisioterapeuta Luciana Manetta.

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