A chegada do bebê na família é um momento de grande alegria e de desafios para os novos pais. Os primeiros meses exigem adaptação e reestruturação familiar, que geram, muitas vezes, uma diminuição da intimidade do casal. O cansaço, a diminuição do sono, além de fatores hormonais e anatômicos podem levar a uma diminuição do desejo sexual.

No período de amamentação, há um aumento dos níveis de Prolactina, hormônio responsável pela produção do leite materno, e diminuição dos níveis de Estrogênio. Esta combinação pode contribuir para uma diminuição da libido, da atração sexual e, consequentemente, diminuição da lubrificação vaginal. Dessa forma, as primeiras experiências sexuais podem ser acompanhadas de dor e desconforto.

Outro fator que pode levar à dor na relação sexual no pós-parto são as aderências cicatriciais causadas pelos traumas perineais no momento do parto e pontos de tensão na região dos músculos do períneo. A diminuição da lubrificação natural, associada ao aumento de tensão muscular, leva a um ciclo de dor que faz com que a lembrança da última relação não seja agradável. A musculatura pode responder às sensações anteriores com contração durante a penetração, o que acarretará em uma potencialização da dor.

Como sair desse ciclo?

Temos que pensar em estratégias para melhorar a lubrificação vaginal. O uso de lubrificante artificial é um bom aliado, mas pode ser insuficiente se o casal não investir, dentro do possível, em um maior tempo a dois, explorando o contato físico e as preliminares, o que pode promover maior lubrificação natural. Adiar a penetração completa até sentir segurança pode ser uma boa alternativa para alguns casais.
É interessante também que a mulher procure separar um momento para olhar para si mesma, para seu corpo, para sua mente. Contar com uma rede de apoio que ajude nos cuidados com o bebê em alguns momentos é importante.
Realizar atividade física traz benefícios, como melhora da autoestima e liberação de endorfinas, que agem diretamente no estado emocional nesse período.
Trabalhar os músculos do assoalho pélvico com um fisioterapeuta especialista melhora a percepção da região, alivia a dor e pode favorecer maior prazer nas relações sexuais. Para isso, esse trabalho deve ser específico, após avaliação da musculatura.
O casal deve respeitar seus sentimentos e conversar sobre suas dificuldades entre si e, se necessário, com os profissionais que prestam assistência nesse período. Existe muito tabu acerca da retomada da vida sexual no pós-parto.

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